Saberes essenciais para a pesquisa na graduação

ATIVIDADE DE LEITURA

RIBEIRO, Maria Solange Pereira. Saberes essenciais para a pesquisa na graduação. Campinas,SP; Biblioteca Central Cesar Lattes, 2013.

 

Capítulo 1: INTRODUÇÃO

O presente trabalho tem a finalidade de dis­correr sobre um dos temas mais complexos e inte­ressantes do fazer cotidiano pedagógico: A pesquisa.

A pesquisa deve ser uma prática contínua e sistemática dos estudantes, na medida em que pos­sibilita ampliar os saberes ministrados, melhora a capacidade de aprendizagem e, principalmente, de­senvolve a capacidade de análise, síntese e crítica.

Educadores acreditam que os estudantes aprendem melhor e mais rapidamente quando mo­tivados. A realização de pesquisas bem planejadas e com acompanhamento permanente dos professores é uma possibilidade de motivação, além de oportunizar o aproveitamento dos conteúdos ministrados de forma mais eficiente e eficaz.

Portanto, não podemos conceber pesquisa como simples cópia de livros, ou seja, transcrição li­teral do texto de maneira mecânica e acrítica. E ain­da, pesquisa não é uma atividade para ocupar o tem­po do estudante como se fosse dever de casa, muito menos deve ser utilizada para preencher lacunas de conteúdos não ministrados em sala de aula, mas, ao contrário, aprofundá-los.

 

Capítulo 2. CONCEITOS DE PESQUISA

Meio pelo qual se busca res­postas às indagações sobre diversos e diferentes problemas sociais, técnicos, culturais, educacionais, etc..

Oferecer condições adequadas para que se desenvolvam certas atividades através da indagação minuciosa da realidade ou princípios relativos a um campo qualquer de conhecimentos.

É a atividade que objetiva inda­gar, informar-se acerca de; investigar com a finalidade de acrescentar algo novo no conhecimento.

É a utilização de métodos siste­máticos para avaliar ideias ou desco­brir novos conhecimentos.

Questionamentos necessários em qualquer pesquisa:

Que fazer? Definição do tema ou problema

Quando fazer? Proposta do estudo-objetivo

Como fazer? Metodologia, trajetória para a construção do trabalho.

Quanto custa? Gastos que envolvem a pesquisa (material, pessoal)

Por que fazer? Justificativa da escolha do problema

Onde fazer? Qual universo, ou seja, o espaço geográfico.

Quem vai fazer? Pesquisador-estudante

 

Capítulo 3. TIPOS DE PESQUISA

Citação: “O desafio essencial da universidade e também da educação moderna é a pesquisa, definida como princípio científico e educativo”. Fim da citação (DEMO, página 33, 1996).

A pesquisa desempenha papel relevante em todos os aspectos do fazer humano, melhor dizendo, somos pesquisadores por natureza devido à necessida­de que temos de conhecer, investigar fatos que não são claros ou aqueles que precisam de melhor entendimen­to, e ainda, encontrar soluções para os mais diferentes tipos de problemas (na indústria, na administração, nas ciências, na educação, dentre outros).

No dia a dia das pessoas, a pesquisa enquanto expressão educativa significa a capacidade de ler cri­ticamente a realidade e reconstruir as condições de participação histórica e cultural. Significa ainda, infor­mar-se adequadamente e saber fazer uso desta infor­mação. Deste modo, a pesquisa possibilita ao homem modificar a si mesmo, seu contexto e o mundo. Na vida acadêmica, a pesquisa aprofunda-se na medida da instrumentação científica, sem perder sua conotação edu­cativa, que inclui necessariamente elaboração própria, teorização das práticas e atualização constante.

Quando nos referimos à pesquisa não deve­mos tomá-la em um sentido restrito, pois existem diferentes tipos de pesquisa e, por conseguinte, dife­rentes metodologias para realizá-la.

Tópico 3.1. Pesquisa Experimental (laboratório)

O investigador interfere na realidade, fato ou situa­ção estudada através da manipulação direta das variáveis.

Tópico 3.2. Pesquisa-Ação

É um método aplicado em diferentes áreas do saber, em especial, na Sociologia e na Psicologia. O pesquisador desempenha o papel ativo no equacionamento dos problemas encontrados. Ele não per­manece só no nível de levantamento de problemas, mas procura desencadear ações e avaliá-las em con­junto com a população envolvida.

Tópico 3.3. Estudo de Caso

Estudo de caso é caracterizado pelo estudo pro­fundo e exaustivo de um ou de poucos objetos, de manei­ra que permita o seu amplo e detalhado conhecimento.

Tópico 3.4. Pesquisa Participante

Este tipo de pesquisa, assim como a pesquisa-ação, caracteriza-se pela interação entre pesquisadores e membros das situações investigadas. Há autores que empregam as duas expressões como sinônimas. Toda­via, a pesquisa-ação geralmente supõe uma forma de ação planejada, de caráter social, educacional, técnico ou outro. A pesquisa participante, por sua vez, envolve a distinção entre ciência popular e ciência dominante. Esta última tende a ser vista como uma atividade que privilegia a manutenção do sistema vigente e a primeira como o próprio conhecimento derivado do senso comum, que permitiu ao homem criar, trabalhar e in­terpretar a realidade, sobretudo a partir dos recursos que a natureza lhe oferece.

Tópico 3.5. Pesquisa Bibliográfica

A pesquisa bibliográfica é a base para qualquer investigação pois, através dela, podemos conhecer e analisar o que foi produzido a respeito de determinado assunto, evitando redundância ao tema a ser estudado.

O seu desenvolvimento varia de acordo com os objetivos traçados e definidos pelo pesquisador, de modo claro e a fim de que as fases posteriores do estu­do ocorram de maneira satisfatória.

 

Capítulo 4. DEFININDO A PESQUISA

Para a realização de toda e qualquer pesqui­sa é imprescindível obedecer a seguinte ordem de procedimentos: escolha do assunto, conceituação do tema e delimitação do tema.

Tópico 4.1. Escolha do Assunto

O professor pode apresentar uma lista de assuntos a fim de que o aluno possa escolher o tema que abordará em seu trabalho. O aluno seguirá sugestões ou indicações, não necessitando passar por esta fase inicial que é a escolha do assunto ou tema. No entan­to, o professor deve escolher assuntos interessantes, inquietadores e, se possível, que atendam às necessi­dades dos alunos e correspondam aos conteúdos da disciplina ou que tenham relação com a mesma.

Para tanto, sugerimos alguns critérios para escolha do assunto;

– Escolher assunto de interesse de aprendiza­gem dos alunos;

– Verificar se há material disponível para rea­lização do estudo;

– Escolher um assunto oportuno e importante;

– Evitar a amplitude demasiada e generalizada a fim de evitar que o estudo se torne superficial;

– Fazer da pesquisa um desafio para não su­perestimar e nem subestimar a capacidade do estu­dante, isto é, o assunto não deve ser fácil a ponto de não desafiá-lo e nem difícil a ponto de desanimá-lo.

Tópico 4.2. Conceituação do Tema

Para a conceituação do tema deve-se recorrer a dicionários e enciclopédias gerais ou especializa­das. Isto é necessário na medida em que um termo pode ter significados diferentes nas diversas áreas do saber. Também recorrer a professores, especialistas, pesquisadores e outras pessoas que possam contri­buir para esclarecer o tema.

Tópico 4.3. Delimitação do Tema

Não se pode delimitar um assunto antes de conhecê-lo.

Geralmente como professores temos a ten­dência de escolher assuntos muito amplos para os alunos realizarem a pesquisa. Esta escolha resulta em trabalhos que muitas vezes não apresentam qual­quer ordem de ideias, isto quando não se constituem em cópias de verbetes de enciclopédias. É prejuízo para o aluno que não aprende a dissertar sobre um tema de modo claro e objetivo e para o professor, que terá dificuldades em analisar o nível de aprovei­tamento do trabalho realizado e, principalmente, da aprendizagem do aluno.

Portanto, deve ser uma preocupação do professor delimitar, o tanto quanto possível, o assunto a ser pesquisado pelos estudantes.

Por exemplo, EDUCAÇÃO. Este tema é muito vasto, envolve um campo de conhecimento complexo e diferentes facetas. Podemos delimitar este tema da seguinte forma:

– Educação de Adultos

– Homens

– Entre 20 a 30 anos

– Brancos

– Trabalhadores da construção civil em São Paulo.

 

Capítulo 5. FASES DA PESQUISA

O desenvolvimento de uma pesquisa varia em função de seus objetivos. Convém, portanto, que sejam claramente estabelecidos, a fim de que as fases poste­riores da pesquisa se processem de maneira satisfatória.

Tópico 5.1. Problema

O problema é a mola propulsora de todo o trabalho de pesquisa. Depois de definido o tema, levanta-se uma questão para ser respondida através de uma hipótese, que será confirmada ou negada atra­vés do trabalho de pesquisa.

Tópico 5.2. Hipótese

Hipótese é sinônimo de suposição. Neste sentido, hipótese é uma afirmação categórica (uma suposição) que tenta responder ao problema levan­tado no tema escolhido para pesquisa. O trabalho de pesquisa então irá confirmar ou negar a hipótese (ou suposição) levantada.

Tópico 5.3. Justificativa

A justificativa num projeto de pesquisa, como o próprio nome indica, é o convencimento de que o trabalho de pesquisa é fundamental de ser efetivado. O tema escolhido pelo pesquisador e a hipótese levantada e a ser comprovada são de suma importância para a sociedade ou para alguns indivíduos. Na elaboração da justificativa deve se tomar o cuidado de não tentar justificar a hipótese levantada, ou seja, tentar responder ou concluir o que vai ser buscado no traba­lho de pesquisa. A justificativa exalta a importância do tema a ser estudado ou justifica a necessidade imperiosa de se levar a efeito tal empreendimento.

Tópico 5.4. Objetivos

A definição dos objetivos determina o que o pesquisador quer atingir com a realização do traba­lho de pesquisa. Objetivo é sinônimo de meta, fim. Os objetivos podem ser separados em Objetivos Ge­rais e Objetivos Específicos.

Tópico 5.5. Metodologia

A metodologia é a explicação minuciosa, de­talhada, rigorosa e exata de toda ação desenvolvida no método (caminho) do trabalho de pesquisa. É a explicação do tipo de pesquisa, do instrumental utili­zado (questionário, entrevista, observação, etc.), do tempo previsto, do trabalho, das formas de tabula­ção e tratamento dos dados, enfim, de tudo aquilo que se utilizou no trabalho de pesquisa.

 

Capítulo 6. INSTRUMENTOS DE COLETA DE DADOS

As técnicas de coleta de dados para os tipos de pesquisas mencionadas podem ser:

Tópico 6.1. Entrevista

É uma conversação entre duas ou mais pes­soas em que perguntas são feitas pelo entrevistador para obter informação do entrevistado.

Tópico 6.2. Questionário

Instrumento composto por um número de questões apresentadas por escrito, com o objetivo de coletar a informação e propiciar determinado co­nhecimento ao pesquisador.

Tópico 6.3 Laboratório

Ocorre em situações controladas, valendo-se de instrumental específico e preciso.

Tópico 6.4. Observação

Não consiste em apenas ver ou ouvir, mas em examinar fatos ou fenômenos que se deseja estudar.

6.5.  Revisão de Literatura

É a análise crítica, meticulosa e ampla das publicações correntes em uma determinada área do conhecimento.

 

Capítulo 7. ELABORAÇÃO DE UM PLANO DE TRABALHO

O plano de pesquisa é, muitas vezes, provisó­rio e passa por constantes reformulações. Geralmente o plano de trabalho é apresentado sob a forma de coleção de itens correspondentes ao desenvolvimen­to que se pretende dar à pesquisa.

Por exemplo, uma pesquisa que tenha por obje­tivo verificar como se desenvolveu a História da Educa­ção no Brasil poderá ser norteada pelo seguinte plano.

  1. Introdução
  2. Fatores atuantes na evolução do sistema educacional brasileiro

2.1. Evolução do ensino no Brasil

2.2. Integração e desintegração de fatores

  1. A educação e o desenvolvimento brasileiro após 1930

3.1. O significado da revolução de 1930 para o de­senvolvimento brasileiro

3.2. As novas exigências educacionais da industrialização

  1. A educação brasileira após 1930
  2. A política educacional dos últimos anos
  3. Conclusão
  4. Referências bibliográficas

 

Capítulo 8. IDENTIFIÇAÇÃO DAS FONTES DE INFORMAÇÃO

Fonte de informação é qualquer recurso informacional, ou seja, tudo que veicula informação (pessoas, livros, periódicos, etc.) e podem ser:

Tópico 8.1. Fontes primárias

São informações elaboradas pelo próprio au­tor. Ou seja, são fontes originais como, por exemplo, teses defendidas na universidade, relatórios técnicos, artigos científicos, etc.

Tópico 8.2. Fontes secundárias

São informações produzidas pelo segundo autor a partir das fontes primárias. Exemplo: livros, enciclopédias, jornais, etc.

Tópico 8.3. Fontes terciárias

São as informações que contém índices tanto de fontes primárias quanto de fontes secundárias. Exemplo: bibliografias de bibliografias, catálogo de catálogo de bibliotecas, etc.

 

Capítulo 9. LOCALIZAÇÃO DAS FONTES

Após a elaboração do plano de estudo deve-se identificar as fontes capazes de fornecer as respostas adequadas à solução do problema proposto.

Tópico 9.1. Periódicos eletrônicos

O Portal de Periódicos da Capes foi lançado em novembro de 2000 e é uma das maiores bibliote­cas virtuais do mundo. Reúne conteúdo científico de alto nível e está disponível à comunidade acadêmico-científica brasileira.

Tópico 9.2. Bases de dados

Banco de dados é um conjunto de registros dispostos em estrutura regular, que possibilita a reor­ganização dos mesmos e a produção de informação. Um banco de dados normalmente agrupa registros utilizáveis para um mesmo fim. (Definições da web).

Tópico 9.3. E-Book

É uma abreviação de “electronic book”, ou li­vro eletrônico. Trata-se de uma obra com o mesmo conteúdo da versão impressa, com a exceção de ser, por óbvio, uma mídia digital.

Tópico 9.4. Biblioteca Digital

É a biblioteca constituída por documentos primários que são digitalizados, quer sob a forma material (disquetes, CD-ROM, DVD) quer em linha através da Internet, permitindo o acesso à distância.

Este conceito inclui também a ideia de organi­zação composta por serviços e recursos cujo objetivo é selecionar, organizar e distribuir a informação, con­servando a integridade dos documentos digitalizados.

Tópico 9.5.    Catálogo online (Base Acervus)

É o catálogo que está disponível para consulta na Internet, com informações sobre a disponibilida­de de empréstimos, reservas, renovações, número de exemplares e localização dos materiais.

Um dos procedimentos mais recomendados para o acesso à informação, dentre outros, é a pro­cura em catálogos de bibliotecas e conversas com professores que possam fornecer informações sobre a literatura existente.

Após a localização e obtenção dos documen­tos inicia-se a sua leitura. Esta leitura tem fins espe­cíficos que são:

– Identificar as informações e os dados cons­tantes do material impresso;

– Estabelecer relações entre as informações e os dados obtidos com o problema proposto;

– Analisar a consistência das informações e dados apresentados pelos autores.

 

Capítulo 10. DADOS, INFORMAÇÃO E CONHECIMENTO

Tópico 10.1. Dados

São itens referentes a uma descrição primá­ria de objetos, eventos, atividades e transações que são gravados, classificados e armazenados, mas não chegam a ser organizados de forma a transmitir al­gum significado específico. Quando um conjunto de dados possui significado, temos uma informação.

Tópico 10.2. Informação

É todo conjunto de dados obtidos através de qualquer instrumento de pesquisa e organizados de forma a ter sentido e valor para seu destinatário.

Tópico 10.3. Conhecimento

Consiste de dados e informações organizados e processados para transmitir compreensão, expe­riência, aprendizado acumulado e técnica, quando se aplicam a determinado problema ou atividade.

É criado pelo fluxo de informação acordado nas crenças e compromissos de um detentor. Isto é, trata-se da prática de agregar valor à informação para disponibilizá-la para uso.

Em resumo:

– Dados são quantificáveis

– Informação está associada a significado

– Conhecimento está associado à interpretação

 

Capítulo 11. TIPOS DE LEITURA

A classificação dos tipos de leitura aqui proposto é a que considera cinco tipos e cuja ocorrência se dá em função do avanço do processo da pesquisa bibliográfica.

Tópico 11.1. Leitura exploratória

Consiste na leitura rápida do material levanta­do com a finalidade de verificar a consistência, validade e interesse da obra em relação ao estudo a ser realizado.

Nesta fase, sugerimos a leitura da introdução, prefácio, orelha, folha de rosto do livro e o resumo quando se tratar de artigo de periódico. E ainda uma análise da bibliografia citada pelo autor.

Tópico 11.2. Leitura Seletiva

Após a fase anterior, inicia-se o processo se­letivo do material, isto é, os livros e textos que real­mente interessam ao estudo. Portanto, o pesquisador deve ter em mente os objetivos do estudo para evitar a leitura de materiais que não interessam dire­tamente ao mesmo. Não significa que materiais que tenham relação com a pesquisa sejam descartados, mas colocados em reserva como leitura complementar.

Tópico 11.3. Leitura analítica

Esta fase de leitura é realizada após a seleção dos textos. A sua finalidade é ordenar e resumir as informações existentes nos documentos de forma a possibilitar a obtenção de respostas aos problemas da pesquisa. A leitura analítica deve ser feita com atenção para identificar os pontos de vista do autor, suas intenções e os aspectos que deixaram de ser tratados.

A leitura analítica obedece as seguintes etapas:

Tópico 11.3.1.        Leitura integral do texto

A leitura do texto no seu todo possibilita uma visão geral do assunto tratado pelo autor. Nesta fase, sugerimos a utilização de um dicionário geral ou especializado. O significado das palavras pode ser colocado nas margens do texto, folhas separadas, cadernos de anotação ou outro meio adotado pelo leitor. Estas anotações devem ser uniformes em todo o processo de leitura para evitar desperdícios de in­formação e perda de tempo,

Tópico 11.3.2.        Identificação das ideias principais

Este procedimento possibilita que ao longo do texto o leitor identifique os parágrafos mais significa­tivos e as ideias mais importantes. Cada frase contém uma palavra que a identifica e cada parágrafo uma frase que o resume, isto é, que marca a ideia do autor.

Tópico 11.3.3.        Hierarquização das ideias

Consiste na organização das ideias segundo a ordem de importância. Isto implica em distinguir as ideias principais das secundárias e estabelecer tantas categorias de ideias quantas forem necessárias para a análise do texto.

Tópico 11.3.4.        Sintetização das ideias

Consiste na recomposição do texto analisado, eliminando o que é secundário e fixando-se no es­sencial para a solução do problema proposto.

Tópico 11.4. Leitura Interpretativa

É a última etapa do processo de leitura das fontes bibliográficas. Esta fase tem por objetivo re­lacionar o que o autor afirma com o problema para o qual propõe uma solução. Na leitura interpretativa procura-se conferir significado mais amplo aos resul­tados obtidos com a leitura analítica. Na leitura ana­lítica, por mais bem elaborada que seja, o pesquisa­dor fixa-se nos dados; na interpretativa, ele vai além dos dados na medida em que faz ligação com outros conhecimentos já adquiridos.

 

Capítulo 12. TOMADAS DE APONTAMENTO

Depois da leitura do material bibliográfico é o momento de recolher os dados, informações ou afir­mações que as fontes fornecem. Para tanto, deve-se fa­zer uso de fichas, cadernos, folhas soltas ou outra sis­temática que o pesquisador julgar mais conveniente.

Alguns tipos de apontamentos:

Tópico 12.1. Citação

É a transcrição literal do pensamento de um autor com os próprios termos que expressam seu pensamento. A citação deve ser sempre entre aspas.

Tópico 12.2. Esboço

É um apanhado da estrutura da obra lida se­guindo os mesmos títulos e subtítulos.

Tópico 12.3. Observações Pessoais

Compreende ideias e comentários próprios sugeridos pela leitura ou frutos de reflexão pessoal.

Tópico 12.4. Resumo

É a expressão abreviada do pensamento do autor;

– Deve recapitular sucintamente as informa­ções contidas na obra e as conclusões;

– Deve chamar a atenção para as novas con­tribuições que o autor oferece para o problema;

– Deve ser inteligível por si mesmo;

– Deve evitar abreviaturas;

– Deve respeitar a estrutura da exposição e o equilíbrio das partes do trabalho.

Os resumos podem ser:

Tópico 12.4.1. Analítico

Estuda o conteúdo do documento e o relacio­na com outro material do mesmo campo.

Tópico 12.4.2. Crítico

Leva a análise a um passo mais adiante, avaliando o material quanto à sua validade, pertinência e significado.

Tópico 12.4.3. Descritivo

Registra o título e uma simples informação que ajudará o leitor a determinar se deve solicitar o documento completo ou não.

Tópico 12.4.4. Informativo

É tão complexo dentro de sua brevidade e concisão que muito raramente o feitor necessita con­sultar o original para obter a informação desejada.

Toda e qualquer anotação referente a uma obra deve ser identificada a fonte, isto é, deve-se colocar a re­ferência bibliográfica de acordo com a NBR 6023/2002 (neste caso, consultar apostila que trata do assunto).

 

Capítulo 13. REDAÇÃO

Consiste na etapa final da elaboração do traba­lho. Na redação, deve-se evitar parágrafos longos e ter­mos complicados, o que demonstra insegurança e uma forma de ocultar um texto vazio e até incompreensível.

Um trabalho de pesquisa deve apresentar a seguinte estrutura de trabalho.

Tópico 13.1. Introdução

A introdução, como parte inicial do texto, tem como finalidade dar ao leitor uma visão clara e sim­ples do tema do trabalho. De uma maneira geral, a introdução de um trabalho deve informar:

– Justificativa para a escolha do tema;

– Objetivos do estudo;

– Organização e distribuição do trabalho em tópicos.

Tópicos 13.2. Corpo ou desenvolvimento

Corpo ou desenvolvimento, como parte prin­cipal, é a mais extensa do trabalho. A sua finalidade é desenvolver a ideia principal, analisando-a e ressal­tando os pontos mais importantes e divergentes. Em resumo, é a fundamentação lógica do trabalho.

Tópico 13.3. Conclusão

Considerada uma das partes mais importantes do trabalho, deve ser uma decorrência natural do que foi exposto no corpo ou desenvolvimento. Em qualquer tipo de trabalho, a conclusão deve resultar de deduções lógicas sempre fundamentadas no que foi apresentado e discutido anteriormente no corpo ou desenvolvimento.

Tópico 13.4. Bibliografia

Entende-se por bibliografia a relação de todas as fontes utilizadas pelo autor no trabalho, elaboradas segundo a NBR 6023/2002.

 

Capítulo 14. NÃO COPIE, CITE

Citação é a “menção de uma informação extraída de outra fonte” tais como livros, periódicos, vídeos, sites e etc. As citações na produção textual são feitas para sustentar uma ideia ou ilustrar um raciocínio. Sua função é oferecer ao leitor o respaldo necessário para que ele possa comprovar a veracida­de das informações fornecidas e possibilitar o seu aprofundamento. (Wikipédia)

As citações podem ser:

Tópico 14.1. Citação direta

Transcrição textual de parte da obra do autor consultado. Indicar a data e a página.

Ex.: “Deve-se indicar sempre, com método e precisão, toda documentação que serve de base para a pesquisa, assim como ideias e sugestões alheias in­seridas no trabalho.” (CERVO; BERVIAN, 1978)

Tópico 14.2. Citação indireta

Texto baseado na obra do autor consultado, consistindo em transcrição não textual da(s) ideia(s) do autor consultado. Indicar apenas a data, não havendo necessidade de indicação da página. Ex.: Barras (1979) ressalta que, apesar da im­portância da arte de escrever para a ciência, inúmeros cientistas não têm recebido treinamento neste sentido.

Tópico 14.3. Citação de citação

Transcrição direta ou indireta de um texto em que não se teve acesso ao original, ou seja, retirada de fonte citada pelo autor da obra consultada.

Indicar o autor da citação, seguido da data da obra original, a expressão latina “apud”, o nome do autor consultado, a data da obra consultada e a pági­na onde consta a citação.

Ex.: “O homem é precisamente o que ainda não é. O homem não se define pelo que é, mas pelo que deseja ser.” (ORTEGA Y GASSET, 1963, apud SALVADOR, 1977, p. 160).

Tópico 14.4. Citação com um autor

Citar o sobrenome e o ano.

Ex.: De acordo com Polke (1972), é função do pesquisador conhecer o que os outros realizaram anteriormente, a fim de evitar duplicações, redescobertas ou acusações de plágio.

Tópico 14.5. Citação com dois a três autores

Citar os respectivos sobrenomes separados por ponto e vírgula, data da obra e página da citação.

Ex.: “Documento é toda base de conhecimen­to fixado materialmente e suscetível de ser atualiza­do para consulta, estudo ou prova.” (CERVO; BERVIAN. 1978, p. 52).

Tópico 14.6. Citação com mais de três autores

Citar o sobrenome do primeiro autor seguido pela expressão “et al.” e o ano.

Ex.: Quanto ao uso de maiúsculás ao longo do texto, segundo Bastos et al. (1979) é recomendá­vel a adoção das normas provenientes da Academia Brasileira de Letras.

Tópico 14.7. Citação sem autoria conhecida

Citar o título e o ano.

Ex. 1: Conforme análise feita em Conservacionistas… (1980) os ecologistas nacionais estão empe­nhados no tombamento da referida montanha.

Ex. 2: No diagnóstico das neoplasias utilizou-se a classificação histológica internacional de tumores dos animais domésticos, segundo o Bulletin… (1974).

 

Capítulo 15. DICAS PARA ESCREVER UM TEXTO

Algumas informações na hora de escrever ou revisar um texto (Ruiz: 1974).

– Organize um roteiro com as ideias que dese­ja desenvolver para escrever com clareza;

– Escreva sempre na ordem direta: Sujeito mais verbo mais complemento;

– Escreva sempre frases curtas e simples. Abuse dos pontos;

– Corte todas as palavras inúteis ou que acrescentam pouco ao conteúdo;

– Evite o excesso das partículas: que, embora, onde, quando;

– Use apenas os adjetivos e advérbios extre­mamente necessários;

– Use somente palavras precisas e específicas;

– Evite o uso de substantivos aumentativos, diminutivos e superlativos mais de uma vez num mesmo parágrafo;

– Evite os ecos (ação do coração, avaliação da produção, etc.);

– Use frases afirmativas;

– Evite frases na voz passiva;

– Evite regionalismos, jargões, modismo, lugar comum, abreviaturas sem a devida explicação, palavras e frases longas;

– Evite apelar para generalizações (como “a maioria acha”);

– Faça poucas citações diretas. Opte por reescrevê-las e credite-as aos seus autores para ter menos chances de se passar por um mero compilador;

– Use as notas de rodapé para definições e informações que, embora sucessivas, acabam truncan­do demais o texto;

– Evite repetir palavras, especialmente ver­bos e substantivos. Use sinônimos;

Ao revisar:

– Cheque se tudo está na forma direta;

– Procure repetições, ecos, cacofonias, ora­ções intercaladas e partículas de subordinação;

– Corte todas as palavras desnecessárias;

– Elimine todos os adjetivos e advérbios que puder;

– Procure erros de grafia, digitação e erros gramaticais tais como de regência e concordância;

– Cheque se as informações estão corretas e se realmente está escrito o que você pretendia escrever.

 

Capítulo 16. PARA ESCREVER, É NECESSÁRIO SABER “LER” O QUE SE ESCREVE

Tópico 16.1. Compreensão

É a capacidade de entender a mensagem lite­ral contida em uma comunicação.

Tópico 16.2. Análise

É a capacidade de desdobrar o material em suas partes constitutivas, observando as inter-relações e os modos de organização do mesmo.

Tópico 16.3. Síntese

É a capacidade de colocar em ordem os pensa­mentos essenciais do autor.

Tópico 16.4. Avaliação

É a capacidade de emitir um juízo de valor e de verdade a respeito das ideias essenciais de um texto.

Tópico 16.5. Aplicação

É a capacidade de resolver situações seme­lhantes à situação explicitada no texto. É o que nos garante ter entendido o assunto e nos permite projetar novas ideias a partir dos conhecimentos adquiridos, por meio da criatividade a qual se manifesta pela elaboração de um plano e, em seguida, pela re­dação de um tema. (Faulstich: 2000)

 

Capítulo 17. TRABALHOS CIENTÍFICOS

Tipo: Livro

Características:   – Original (conhecimento profundo do autor sobre o assunto)

– Não exige pesquisa bibliográfica

– Não exige pesquisa laboratorial

– Conteúdo extenso e amadurecido sobre um determinado assunto

– Iniciativa pessoal do autor

– Liberdade de estilo

Objetivos: Apresentação de um assunto para fins científicos ou literários

 

Tipo: Monografia Científica

Características:   – Original (conhecimento profundo do autor sobre o assunto)

– Exige pesquisa bibliográfica exaustiva

– Não exige pesquisa laboratorial

– Iniciativa pessoal do autor

– Liberdade de estilo dentro dos limites de redação científica.

Objetivos: Estudo aprofundado sobre um assunto específico. Exemplo: Tratado Científico.

 

Tipo: Monografia Didática

Características:   – Caráter não original

– Pautado em livros-texto ou pesquisa

– Bibliografia delimitada

– Não exige pesquisa laboratorial

– Exigido pelo corpo docente no aproveitamento de suas disciplinas

– Assemelha-se à monografia científica na apresentação e formato, mas não no conteúdo e finalidade

Objetivos: Iniciação à pesquisa e nos cursos de graduação e especialização. Encaminhar o aluno para a pesquisa.

 

Tipo: Tese

Características:   – Caráter original

– Exige pesquisa bibliográfica ampla

– Exige pesquisa laboratorial (contribuição original do autor para o progresso científico)

– Não tem cunho de iniciativa pessoal. Trabalho obrigatório para obtenção de grau acadêmico

– Exige orientador

Objetivos: Obtenção de grau acadêmico – Doutorado ou Livre-Docência

 

Tipo: Dissertação

Características:   – Estudo teórico de revisão de literatura, sem caráter original (não exige conhecimento do autor sobre o assunto)

– Não exige pesquisa laboratorial

– Exige pesquisa bibliográfica ampla

– Exige orientador (mestrado)

Objetivos: Aprender a coletar, ordenar e interpretar ideias sobre determinado assunto dentro dos aparatos formais de apresentação de trabalho científico.

 

Tipo: Relatório Científico

Características:   – Apresentação fiel e imparcial de fatos ocorridos durante uma pesquisa

Objetivos: Definir soluções a partir de problemas detectados. Analisar os fatos para tirar conclusões e tomar decisões futuras

 

Tipo: Artigo Científico Original

Características:   – Caráter não original (conhecimento do autor sobre o assunto)

– Iniciativa e estilo pessoal

– Exige pesquisa bibliográfica e laboratorial

– Informação clara, completa e concreta sobre pesquisa e experiência realizadas pelo autor.

Objetivos: Contribuição para ampliação dos conhecimentos científicos sobre um determinado assunto.

 

Tipo: Nota Prévia

Características:   – Idem

– Artigo original, porém sem maiores detalhes (pesquisa ainda em andamento)

Objetivos: Acelerar informações sobre pesquisas em andamento. Garantia da prioridade de pesquisa.

 

Tipo: Artigo de Reunião

Características:   – Sem caráter original

– Analisa e discute trabalhos já publicados.

– Exige pesquisa bibliográfica.

– Não exige pesquisa laboratorial.

Objetivos: Levantamento de literatura sobre um assunto específico para fins de análise de situação.

 

Tipo: Memorial

Características: – “Curriculum Vitae” direcionado para a vida acadêmica. Relação de documentos que atestam a capacidade de alguém para uma determinada função ou concurso acadêmico

Objetivos: Registro da vida acadêmica

Elaborado por Cesar Augusto Castro

 

Capítulo 18. O CAMINHO SE FAZ AO CAMINHAR

Acredito que capacitar o aluno a buscar o co­nhecimento para saber utilizá-lo diante de desafios impostos pela vida é o grande desafio das Universi­dades nos tempos atuais. Desta forma, quando o co­nhecimento não estiver disponível ele mesmo saberá onde encontrar.

O conhecimento não se restringe aos conteú­dos curriculares da faculdade. O espaço acadêmico não é mais a fonte do saber, mas aquele que deve inspirar o aluno a desenvolver o sentido da criatividade, da elaboração e da geração do conhecimen­to, para estimulá-lo ao afastamento da “decoreba” e do conformismo do “está bom”. Isto porque, com o crescimento desenfreado do conhecimento é quase impossível apresentar todo conteúdo relevante de todas as disciplinas em sala de aula.

É necessário criar competências no aluno para que ele descubra o desconhecido. É importante formar pessoas capazes de buscar o conhecimento e não mais o que domina apenas o já conhecido.

Creio que a formação do aluno depende da sua capacidade para investigar. A autonomia intelec­tual depende da capacidade do indivíduo para buscar informações, para informar-se sobre determinado assunto e para interpretar os dados colhidos para uma ação responsável. Dentro desta perspectiva, é importante envolvê-los em atividades que tenham como objetivo indagar e investigar e como finalidade, acrescentar algo novo ao seu próprio conhecimento.

É importante começar o contato com a ativi­dade investigativa já na graduação, porque o aluno de graduação de hoje será o de pós-graduaçâo ama­nhã e quiçá um futuro Nobel.

 

Capítulo 19. REFERÊNCIA

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